rumao a greve geral

Livro: A Classe Trabalhadora e a Resistência ao Golpe de 2016

capa livro a classe trabalhadora e a resistência ao golpe de 2016 II

A CUT, eixo da luta de resistência contra o golpe

Por Julio Turra

“Os últimos 10 meses concentram não só um balanço positivo dessa gestão, mas um balanço histórico do lugar da CUT, independente dos patrões e governos – inclusive dos que ajudou a eleger – e autônoma diante dos partidos – inclusive daquele que é o da maioria dos seus militantes – comprometida com a defesa da   classe trabalhadora. Foi o que permitiu à CUT ser o eixo da resistência contra a ofensiva da direita, agrupando os movimentos populares nas ruas, numa situação de paralisia e crise do PT e da aplicação pelo governo de uma política contrária à sua própria base social. É essa postura que devemos prolongar no próximo período difícil e complexo que temos diante de nós”.

A citação que introduz este artigo é de minha intervenção sobre o balanço da gestão da Direção Nacional da CUT que encerrava seu mandato no 12º Congresso nacional da CUT (CONCUT – 13 a 16 de outubro de 2015).

Ela fazia referência (“últimos 10 meses”) ao processo de mobilização iniciado em 13 de março de 2015 pela CUT, em conjunto com o MST, a UNE e centenas de organizações do movimento popular, quando – resistindo inclusive a pressões que vinham do Planalto e da direção do PT no sentido de “não fazer nada, para não provocar a direita” – decidimos convocar uma primeira mobilização de massas nacional para disputar as ruas com os golpistas e “coxinhas” que preparavam então atos pelo “Fora Dilma, Fora PT”…

CLICK NO LINK ABAIXO E LEIA O ARTIGO DE JULIO TURRA (Diretor Executivo da CUT) NA ÍNTEGRA:

https://cutindependentedeluta.wordpress.com/artigo-de-julio-turra-no-livro-a-classe-trabalhadora-e-a-resistencia-ao-golpe-de-2016/

RESOLUÇÕES DA DIREÇÃO NACIONAL DA CUT

REsoluções da Direção Nacional da CUT

NÃO AO GOLPE!

FORA TEMER!

NENHUM DIREITO A MENOS! RUMO À GREVE GERAL!

A Direção Nacional da CUT, reunida na cidade de Guarulhos, SP,  nos dias 18 e 19 de agosto, considerou com extrema preocupação o cenário político que se delineia para o próximo período no qual as forças golpistas buscam implementar seu projeto de restauração neoliberal.

As medidas adotadas pelo governo ilegítimo de Temer visam o desmonte do Estado, a redução do investimento em políticas públicas fundamentais como a saúde e a educação, a privatização das empresas estatais, a entrega de nossas riquezas à exploração das empresas multinacionais, a retirada de direitos fundamentais da classe trabalhadora, o desemprego e o arrocho salarial.

Este cenário sombrio de retrocesso civilizatório, que põe em risco a democracia  e a soberania nacional, que leva à precarização  das condições de trabalho e de vida dos/as  trabalhadores/as no campo e na cidade, coloca para a CUT o desafio  de continuar fazendo a defesa incondicional dos direitos e interesses da classe trabalhadora e de continuar seu protagonismo na luta contra o golpe junto com as forças democrático-populares representadas pela FBP e pela FPSM.

Não assistiremos calados à redução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, da mesma forma como não aceitaremos o corte de recursos destinados  às  políticas públicas que têm como obrigação constitucional  assegurar serviços essenciais à população brasileira. Rejeitamos igualmente a privatização que está sendo feita de serviços essenciais, como a saúde e a educação, da mesma maneira como lutaremos contra a entrega do Pré-Sal  à rapina de petrolíferas internacionais.

A CUT nasceu nas lutas de resistência contra a ditadura e continuará nas  ruas para resistir ao golpe, defender a democracia e o projeto de nação que queremos construir e deixar para as gerações futuras. Nas praças e ruas, continuaremos gritando: FORA TEMER!

Não aceitaremos a retirada de nenhum de nossos direitos trabalhistas e previdenciários e reafirmamos a bandeira de luta aprovada no 12º CONCUT: NENHUM DIREITO A MENOS! Em torno desta bandeira, mobilizaremos nossas bases rumo à greve geral.  Este é o momento de acumular forças, de evitar a dispersão e a fragmentação. É o momento de dialogar com as trabalhadoras e os trabalhadores do campo e da cidade, do serviço público e do setor privado. É necessário explicar cuidadosamente porque os direitos da classe trabalhadora estão ameaçados e  envolvê-las/os na preparação da greve geral.  Nesta ação, a CUT buscará a unidade de ação com as demais Centrais Sindicais para a construção da greve geral, preservando sua autonomia na elaboração e divulgação de material próprio para mobilizar os/as trabalhadores/as. Da mesma forma, buscará o apoio dos movimentos populares (FBP e FPSM), fundamental para sensibilizar a população a favor da luta em defesa dos direitos.

Igualmente importante é a luta sem trégua que travaremos contra as demissões e o desemprego. Não aceitaremos que as/os trabalhadores/as “paguem o pato” pela crise econômica e pelas políticas recessivas de ajuste fiscal do governo ilegítimo.  A luta dos trabalhadores demitidos é a luta de toda a classe trabalhadora. Manifestações de rua, passeatas, assembleias, movimentos de solidariedade farão parte de uma agenda permanente da CUT em defesa do emprego.

É na luta que explicitam-se as contradições da sociedade, revigoram-se os laços de solidariedade entre os/as trabalhadores/as, forjam-se as ideias e  a consciência de classe, acalentam-se os sonhos e a esperança de  dias melhores. Não recuaremos diante de ameaças, resistiremos ao golpe e aos ataques à democracia, aos direitos da classe trabalhadora e à soberania nacional.

PLANO DE LUTAS DA CUT  PARA O SEGUNDO SEMESTRE de 2016

LUTA CONTRA O GOLPE

  1. Manter a luta  contra o golpe, como a prioridade da CUT.

  1. Organizar jornada de luta em Brasília, com foco em atos nos  dias 23 e 29 de agosto, em parceria com FBP e FPSM.

  2. Atuar em conjunto com os movimentos populares em outras capitais,      organizando manifestações de rua,  vigílias em locais fechados ou em praças públicas (usar a criatividade, considerando as condições concretas de mobilização.

  3. Pressionar Senadores no Congresso e nas suas bases eleitorais.

  4. Continuar a discussão com a base sobre o golpe, mostrando de forma didática seu significado (quem são os golpistas, o que querem com o golpe, como a população será atingida, como a classe trabalhadora será atingida pelas políticas e medidas do governo ilegítimo: PL 257, PEC 241, negociado sobre o legislado, terceirização, flexibilização do contrato de trabalho,  reforma da previdência, privatizações,  fim das políticas de inclusão social voltadas para setores mais pobres da população, para mulheres, negros e para promoção dos direitos humanos, aumento do desemprego, a política de desenvolvimento agrário que põe em cheque a vida dos/as trabalhadores/as do campo e a segurança alimentar.

  5. Continuar a denúncia do golpe em fóruns internacionais e a mobilização popular, com foco na Jornada  Continental    pela Democracia e contra o Neoliberalismo.

  6. Intensificar a defesa dos bancos públicos e das estatais.

  7. Realizar campanha pela auditora da dívida pública com o objetivo de explicitar a atual política de ajuste fiscal.

FORA TEMER!  NÃO À PEC 241 – DIA NACIONAL DE PARALISAÇÃO RUMO À GREVE GERAL

  1. Continuar o processo de preparação da greve geral como principal instrumento para defender os direitos e combater o governo golpista, com indicativo de paralisação para a segunda quinzena de setembro (22/09).

  2. Ir esquentando os motores, através do trabalho de base: divulgar ameaças concretas aos direitos da classe trabalhadora  (panfletagem), fazer consultas sobre disposição dos trabalhadores aderirem à greve (como já está sendo feito por algumas categorias e Estaduais  da CUT), realizar assembleias nos sindicatos, plenárias por ramos.

  3. Fazer paralisações parciais para continuar esquentando os motores e preparando as bases para o embate.

  4. Unificar a luta e a preparação da greve geral através de campanha nacional pela defesa dos direitos: NENHUM DIREITO A MENOS!

  5. Articular a pressão no Congresso e sobre os parlamentares contra a retirada de direitos com a mobilização para a greve geral.

  6. Jogar peso nas campanhas salariais do segundo semestre, fazendo convergência para dia nacional de paralisação na segunda semana quinzena de setembro (22/09).

  7. Buscar a unidade com outras Centrais Sindicais, preservando a autonomia da CUT.

  8. Envolver os movimentos sociais, através da FBP e da FPSM, na mobilização rumo à greve geral, indo para as ruas e usando formas criativas de sensibilizar a população (ações culturais envolvendo artistas populares) .

  9. Participar ativamente da construção da 2ª Conferência nacional da FBP (novembro)

  10. Aproveitar a discussão e mobilização das eleições municipais (Plataforma da CUT para as eleições 2016) para, junto com os movimentos sociais, fortalecer resistência  ao governo golpista.

  11. Organizar caravanas nas regiões para fortalecer a resistência ao governo golpista.

  12. Desenvolver a campanha em defesa do Pré-sal.

  13. A Secretaria Geral deve  organizar grupo de dirigentes e assessores para coordenar a ação contra o golpe e de preparação da greve geral.

DEFESA DO EMPREGO E AÇÃO  CONTRA DEMISSÕES

  1. – Desenvolver ações em defesa do emprego em todas as categorias com ênfase nas regiões mais atingidas pelas demissões.

  2. – Organizar com os movimentos sociais e populares formas de defesa do emprego, como assembleias,  manifestações de rua e pressão social.

 CALENDÁRIO

  • Dia  23/08 – Ação em Brasília contra a PEC 241,  o PL 257 e o PL 4567 (Pré-Sal)

  • Dia 29/08 – Ato contra o Golpe em Brasília.

  • Dia 07/09 – Participação da CUT no Grito dos Excluídos

  • Dia 14/09 – Reunião ampliada da DE

  • Dia 22/09 – Dia nacional de paralisação (“Esquenta Greve Geral”)

 

Intervenções dos Diretores que Impulsionam a CORRESPONDÊNCIA EM DEFESA DA CUT INDEPENDENTE E DE LUTA:

Esquenta a discussão sobre greve geral pelo Brasil

Reuniões e plenárias na base da CUT adotam iniciativas

Plenárias e reuniões das CUTs estaduais discutem a greve geral por “nenhum direito a menos”.

Em Cuiabá (MT), com a presença do presidente da CUT-DF, em 23 de julho, a plenária propôs aos sindicatos fazerem boletins informando os ataques do governo golpista e assembleias para discutir a greve geral, numa situação em que o funcionalismo estadual está em greve há quase dois meses.

Na CUT-RS, uma reunião da executiva estadual ampliada, em 2 de agosto, decidiu sugerir à CUT nacional o mês de setembro para a deflagração da greve geral. Em 4 de agosto o funcionalismo vai “parar” o estado, pois até as polícias civil e a militar vão protestar contra o parcelamento de salários imposto pelo governo Sartori (PMDB).

A CUT-SC, entre outras iniciativas, vai promover plebiscitos nas bases sobre a necessidade da greve geral. Em Minas, auditório lotado Com o auditório lotado, em 1º de agosto a plenária da CUT-MG reuniu dirigentes metalúrgicos, petroleiros, bancários, correios, metroviários e servidores públicos e discutiu ações contra o golpe e a preparação da greve geral.

cedula GG SC

Foi realçada a responsabilidade dos sindicalistas de intensificar o diálogo com suas bases, para tanto a CUT-MG deve produzir materiais para ajudar nesse trabalho. Também foi marcada reunião de sindicatos em campanha salarial neste 2º semestre, para unificar iniciativas e somar na preparação da greve geral.

A plenária mineira registrou críticas à reunião das centrais sindicais de 26 de julho e ao documento ali adotado, “que em nada ajuda a construção da greve geral”.

No Recife, bancários discutem a greve geral Em 26 de julho, após assembleia geral de bancários, foram lançados dois comitês contra o golpe e em defesa dos bancos públicos, um da CEF, outro do BB.

Ugo Alberto, do Comitê do BB, lembrou que “estamos no contexto de um golpe, com ataques generalizados contra o conjunto dos trabalhadores, o que enseja a necessidade de uma resposta de conjunto que deverá se expressar na greve geral”. Tony Guerra, do Comitê da CEF, falou que “a greve geral é um recado sério dos trabalhadores que vão reagir às medidas terríveis que estão sendo implantadas contra eles”.

A assembleia aprovou moção, no sentido de ajudar a construção da greve geral, dirigida às direções dos sindicatos cutistas de Pernambuco, para que se somem ao esforço de convocação de assembleias nas suas categorias, e à direção da CUT-PE para que convoque “plenária de sindicatos filiados para impulsionar essa discussão integrando todas as entidades sindicais filiadas à nossa Central”.

texto originalmente publicado em Jornal O Trabalho ed. 791. otrabalho.org.br

Dar palanque para Paulinho da Força?

Unidade de ação não pode ser conciliação com golpistas

A executiva da CUT colocou no plano de preparação da greve geral a “busca da unidade de ação com as demais centrais em torno da defesa dos direitos da classe trabalhadora e com base numa pauta concreta de exigências e reivindicações”. Quanto a “assembleias da classe trabalhadora” nas capitais, a resolução dizia: “Essas assembleias devem deliberar e fazer o indicativo de data da greve geral”.

O ato de 26 de julho em São Paulo, com dirigentes de oito centrais (CUT, FS, UGT, CTB, NCS, CSB, CGTB e Conlutas) e o documento ali adotado, correspondem a essa orientação?

Nem de longe. O ato encerrou-se com a adoção de um documento que – sem sequer mencionar a greve geral – conclui com uma lista de medidas, cuja maioria é de “mais investimentos”, requentadas de um documento de centrais e empresários entregue a Dilma antes do início do impeachment (“Compromisso pelo desenvolvimento”). Sobre essa base foram convocadas “assembleias da classe trabalhadora” nas capitais em 16 de agosto.

Segundo o site da CUT, Vagner Freitas teria dito em sua fala que “greve geral só acontece se todas as centrais quiserem fazer”. Se foi isso que disse, é um enorme equívoco, pois deixaria nas mãos de pelegos (uns sem base, outros golpistas como o Paulinho), o poder de decidir se uma greve geral sai ou não!

Isso nunca houve nas greves gerais que a CUT liderou em nosso país. Foi a partir da mobilização de sua própria base que a CUT incidiu nas bases dos pelegos, chegando a arrastar alguns deles (nunca todos) para a ação comum.

Volta ao passado?
Depois de um ano e meio de intensa mobilização, primeiro contra a direita e para mudar os rumos do governo Dilma, depois contra o golpe e em defesa dos direitos e conquistas dos trabalhadores, parece que há dirigentes da CUT querendo “voltar ao passado”: nada fazer senão em “unidade com as centrais”.

Mas, a fraca presença de cutistas no ato de 26 de julho – muitos se recusaram a ir ao serem informados que o tema “golpe” não podia ser tocado e que não se devia hostilizar o Paulinho em nome da “unidade” – demonstra que tal orientação não é consensual na CUT.

É preciso corrigi-la imediatamente. Com material e cara própria a CUT deve explicar cada um dos ataques à nossa classe, qual é a sua origem (governo Temer), concluindo na necessidade da greve geral.

É com essa linha que deve intervir nos atos de 16 de agosto, inclusive para ganhar a base da pelegada, pois unidade na ação não se confunde com conciliação.

Julio Turra – membro da Executiva Nacional da CUT

Posição histórica da CUT em questão

Uma comissão especial da Câmara, presidida pelo Paulinho da Força e cujo relator é o deputado Bebeto (PSB), gerou o PL 5795 sobre “financiamento da atividade sindical”.

Em nome de atender ao reclamo de sindicatos, inclusive da base da CUT, contra a interferência do Ministério Público na cobrança de taxas negociais ou assistenciais, gerou-se um monstrengo.

O PL modifica artigos da CLT no sentido de garantir o imposto sindical (contribuição sindical) e estendê-lo ao setor público, para depois introduzir a cobrança de uma taxa negocial, decidida em assembleia.
A posição histórica da CUT é contra o imposto sindical. Quando do reconhecimento das centrais (2007), a CUT defendeu que a taxa negocial substituísse o imposto sindical.

Já o PL 5795 “garante” as duas cobranças e cria um absurdo “Conselho Nacional de Autorregulação Sindical-CNAS”, bipartite (uma câmara com um representante de cada central reconhecida, outra com representantes das entidades patronais), a quem caberia regular a cobrança da taxa negocial.

Desde já podemos dizer que confundir a CUT com a pelegada que vive de contribuições compulsórias, aceitar o CNAS como órgão de regulação, levaria a dissolvê-la no peleguismo sindical. Se é preciso legalizar a taxa negocial, que se faça um PL limitado a isso.

 

Unidade de ação exige independência da CUT!

A executiva nacional da CUT de 5 de julho adotou resolução de preparação da Greve Geral em nossas bases, contra os ataques ao conjunto da classe trabalhadora anunciados pelo governo Temer. Além de propor assembleias sindicais e plenárias de ramos e estaduais da CUT, a resolução estabelecia:

 “3. Dia Nacional de Assembleia da Classe Trabalhadora: A CUT está buscando a unidade de ação com as demais Centrais Sindicais em torno da defesa dos direitos da classe trabalhadora e com base numa pauta concreta de exigências e reivindicações. Esta unidade deverá traduzir-se numa agenda comum de ação e na realização de um Dia Nacional de Assembleias da Classe Trabalhadora, em todas as capitais dos estados, na segunda quinzena de agosto. Essas assembleias devem deliberar e fazer o indicativo de data da greve geral.” (grifado por nós).

As discussões com as demais centrais desembocaram em duas atividades no final de julho: um ato diante do Banco Central em São Paulo no dia 19,  pela “redução da taxa de juros” e “contra o desemprego”, e uma reunião no dia 26, chamada de “Assembleia nacional da classe trabalhadora”. Nesta última, também em São Paulo, após discursos de um dirigente por central, (CUT, Força, UGT, CTB, NCS, CSB, CGTB e Conlutas) foi adotado um documento que não toca em  Greve Geral, não traz qualquer reivindicação do setor público ou dos rurais, limitando-se a pedir diminuição nos juros e jornada de 40 horas, além de propostas requentadas de “mais investimento” extraídas do documento conjunto com empresários entregue a Dilma antes do início do impeachment (“Compromisso pelo desenvolvimento”).

Dar palanque ao Paulinho em meio à luta contra o golpe, serve para que?

 É preciso muito malabarismo para justificar o ato das centrais de 26 de julho – em que o companheiro Vagner apareceu lado a lado com o golpista Paulinho – como sendo aplicação da resolução da CUT citada acima. Afinal, onde está no documento adotado a “pauta concreta de exigências e reivindicações” e o compromisso de preparar a Greve Geral?

Na véspera desse ato, em 25 de julho, representantes das distintas forças cutistas foram convidados a reunir-se com o secretário geral, quando foram informados que havia um acordo de não tocar no assunto golpe (ou “Fora Temer”) e solicitados a não hostilizar o Paulinho da Força, para não atrapalhar a “unidade das centrais”. Exceto a CSD, as demais correntes manifestaram-se contrárias a tal encaminhamento.

No dia do ato – para o qual foram convocados presidentes e dirigentes de CUTs estaduais – houve reunião prévia dos cutistas, em que se repetiu tal orientação, provocando a reação de vários dirigentes que criticaram o método e o conteúdo da iniciativa.

Companheiras e companheiros indagavam: Por que “dar palanque” para o golpista Paulinho, antes do desenlace do impeachment? Por que não há nenhuma menção no documento à derrubada dos PLs 257 e 241 que afetam os servidores públicos em todos os níveis? Por que não existe menção à reforma agrária ou a qualquer reivindicação dos rurais? Por que não se defende o regime de partilha no Pré-sal, que Temer e Serra querem destruir?

Dia Nacional de Assembleia da Classe Trabalhadora 27 de julho II

Imagem retira do site da força sindical. Crédito: Jaélcio Santana

Também a data de 16 de agosto, proposta para assembleias unitárias nas capitais, foi questionada, por estar atravessada no meio das mobilizações de 5 e 9 de agosto por “Fora Temer” e a votação do impeachment no final do mês.

O fato é que a maioria dos que estavam na reunião dos cutistas não foi ao ato com as outras centrais, resultando numa frágil representação da CUT num plenário coalhado de   bandeiras da Força e UGT.

Segundo matéria no site da CUT, o companheiro Vagner Freitas teria dito no ato que “greve geral só acontece se todas as centrais quiserem fazer”. Se foi isso mesmo que ele disse, trata-se de um enorme equívoco. Primeiro, porque não corresponde às experiências de greve geral feitas no Brasil. Segundo, porque deixaria nas mãos dos pelegos o poder de “veto” sobre convocar ou não uma greve geral.

Estaria o Paulinho disposto a organizar uma greve geral contra as medidas do governo Temer? Alguém pode acreditar nisso?

No site “Brasil: 2 pontos” (28 de julho), Paulinho reagiu a um editorial do “Estadão” que o criticou, dizendo que era uma “tentativa de intriga com o presidente interino Michel Temer”, acrescentando que: “O presidente abriu espaço para as centrais sindicais nas grandes mesas de negociação de seu governo…”.

No dia seguinte ao ato das centrais, quatro delas (Força, UGT, NCS e CSB) estavam de novo em negociações com o ministro do Trabalho de Temer!

No mesmo 27 de julho, Vagner Freitas, em declaração ao jornal “Valor Econômico”, teria dito que, passado o impeachment, vai negociar com o governo (seja Dilma ou Temer). Se isso corresponde ao que foi dito, cabe a pergunta: negociar o que, quando o que se trata é de exigir a retirada da reforma da Previdência e de qualquer iniciativa de flexibilização da CLT, é impedir os demais ataques anunciados por Temer?

O que quer Paulinho é ser o articulador da “unidade das centrais” para levá-las ao colo de Temer e negociar direitos previdenciários, sociais e trabalhistas inegociáveis. Já para a CUT se trata de reunir as condições para a Greve Geral para barrar esses ataques, encostando na parede os pelegos. São duas linhas irreconciliáveis.

 A CUT deve preparar suas bases para a Greve Geral

Sabemos que a situação é difícil, inclusive nas bases da CUT, pois os estragos causados pelo ajuste fiscal de Levy, ministro de Dilma – o desemprego em particular – pesam negativamente. Mas não há como enfrentar a destruição de direitos e conquistas anunciada por Temer de forma isolada em cada categoria ou ramo.

Por isso é preciso sair da rotina e ir às bases explicar o que está em jogo, mobilizar para uma resposta de conjunto que é a greve geral. Nenhum “acordo por cima” de dirigentes de centrais (alguns sem base real, outros golpistas), vai resolver esse problema.

A CUT deve, de imediato, produzir material próprio explicando cada um dos ataques à nossa classe, qual é a sua origem (o golpe), concluindo na necessidade da greve geral. É com esse material que devemos preparar inclusive o 16 de agosto (assembleias da classe trabalhadora). Ter “cara própria” (independência), inclusive para ganhar a base da pelegada para a luta, é o que temos que fazer.

Do ponto de vista político, devemos manter o “Fora Temer, nenhum direito a menos” como eixo de mobilização para além da votação do impeachment. Sim, pois se Dilma for afastada, Temer continuará sendo ilegítimo, fruto de um golpe, como martelamos há meses!

Esse tipo de ato de “unidade com as centrais”, sem base clara e sem compromisso de preparação da greve geral, acaba sendo negativo para a CUT e o lugar que ocupou de protagonista na luta contra o golpe.

Mas, pensamos que esse tropeço pode ser revertido de maneira positiva. Basta que valorizemos a unidade da CUT e a mobilização concreta de nossas bases. Somos a maior central sindical do Brasil e não podemos ficar reféns de pelegos golpistas!

Unidade de ação, sim, mas para preparar a greve geral e derrotar os ataques do governo Temer aos direitos da classe trabalhadora e à soberania nacional.

Julio Turra, Juliana Salles (executiva nacional).

João B. Gomes, Cleusa Cassiano, José Jorge Maggio, Cida Pinto e Lourival Lopes (direção nacional)

Texto também publicado em formato de panfleto, que pode ser baixado em: http://www.slideshare.net/julioturra/unidade-de-ao-exige-independncia-da-cut

Água no moinho dos Inimigos

CTB faz enquete sobre novas eleições, enfraquecendo a luta contra o golpe

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), cuja direção em sua maioria identifica-se com o PCdoB, lançou uma pesquisa no seu site e fez algumas atividades em praça pública por um “Plebiscito Já” para a realização de eleições presidenciais antecipadas.

A mesma posição foi assumida, depois, pelo Conselho de Entidades Gerais (CONEG) da UNE, cuja maioria da direção (UJS) também se identifica com o PCdoB.

Na cédula proposta pela CTB há duas perguntas: “Você é a favor de novas eleições para presidente?; Se a eleição fosse hoje, em quem votaria para presidente?”.

Assim, entidades lideradas por militantes do PCdoB aplicam a linha de propor, com a volta de Dilma à presidência, novas eleições. É o eco da chantagem que fazem alguns senadores ao dizer que podem mudar seu voto no impeachment se Dilma aceitar reduzir o seu mandato.

Pior, é jogar água no moinho do adversário. Em panfleto distribuído no centro do Rio de Janeiro, a CTB pergunta: “Será que o país não precisa de um presidente eleito e com legitimidade popular para enfrentar os desafios que temos pela frente?” Ora, não foi isso que ocorreu nas eleições de 2014, cujo resultado o golpe pretende anular?

Atos da Povo sem Medo 

Como Boulos do MTST e setores do PSOL na Frente Povo Sem Medo também apoiam a tese de antecipação das eleições, a CTB e a UNE juntaram-se a eles para adotar uma convocatória para atos em 31 de julho intitulada: “Fora Temer! O povo deve decidir! Defender nossos direitos, radicalizar a democracia!”.

Se não fica evidente na frase “o povo deve decidir”, a orientação impressa aos atos está no texto da convocatória: “a proposta de um plebiscito sobre a antecipação ou não das eleições, defendido mais de uma vez pela própria presidenta Dilma, pode ser uma bandeira aglutinadora para somar mais forças na luta contra o golpismo”.

Que forças? Os senadores que querem barganhar seu voto?

Como numa frente, como a Povo sem Medo, as decisões deveriam ser tomadas por consenso, fica a questão: o que disse a representação da CUT nessa frente sobre tal convocatória?

Registre-se que na sua plenária de 18 de julho, a Frente Brasil Popular, na qual participam também a CUT, a CTB e a UNE, não endossou os atos de 31 de julho, convocando para 5 de agosto uma grande manifestação nacional no Rio de Janeiro na abertura dos Jogos Olímpicos com os eixos “Fora Temer, Nenhum direito a menos”.

Lauro Fagundes

Texto originalmente publicado em Jornal O Trabalho ed. 790 – otrabalho.org.br

Volks ameaça demitir e retirar direitos

A Volkswagen noticiou que tomará medidas para reduzir um excedente de 3,6 mil trabalhadores na fábrica em São Bernardo do Campo (SP), ou seja, 34% de seu efetivo, de 10,5 mil funcionários. Segundo nota da empresa, a justificativa é que serão consumidos 2 milhões de veículos em 2016, ou seja, 20% menos que 2015 e 40% menos que 2014.

A linha da Volks é chantagear, dizendo que para evitar cortes, propõe a abertura de novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), redução de salários para novos funcionários (Programa de Proteção ao Emprego, PPE), corte no adicional noturno, nos benefícios, fim da estabilidade para acidentados e congelamento de reajuste salarial em 2017, 2018 e 2019, O acordo anterior já estabelecia congelamento de salário até 2017.

assembleia no pateo da volks

Páteo da Volks tomada por trabalhadores em assembleia

A Volks na verdade busca ampliar os programas que já pratica. Hoje são, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, 400 trabalhadores no PPE (até setembro) e 610 trabalhadores estão em lay-off desde o mês de março. Aproveitando o cenário de crise “bate o terror” para reduzir os custos e manter sua margem de lucro. Cabe lembrar que o ano de 2015 se iniciou com os trabalhadores em greve contra demissões.

A luta contra o desemprego e os ataques aos direitos, deve ser encarada com uma ação conjunta, isto está na pauta da greve geral proposta pela CUT.

Texto originalmente publicado em Jornal O Trabalho ed 790 – otrabalho.org.br

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